segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Engenheiro fatura R$ 100 mil com curativo feito para a própria mãe


Após acompanhar por 10 anos as tentativas de cicatrização de diversas úlceras nas pernas da mãe, Vitória, o engenheiro florestal João Carlos Moreschi, 66, decidiu estudar uma forma de desenvolver um curativo que auxiliasse na secagem das feridas.

Em uma conversa com o médico que a atendia, Moreschi percebeu que a dificuldade de cicatrização era agravada pela falta de "respiro" dos curativos usados nas feridas. "Minha mãe já não andava mais. As feridas ficavam abertas e eram grandes", conta.

Com um investimento inicial de R$ 50 mil, Moreschi criou a Membracel, em 2000, e começou a produzir, em Curitiba (PR), o Membrana Regeneradora Porosa Membracel. Hoje, fatura R$ 100 mil por mês com o produto, que comercializa para hospitais.

Moreschi, que já trabalhou na área de microbiologia e celulose, começou a pesquisa para criar o curativo em 1992. O desenvolvimento da membrana porosa durou seis anos.

"Durante esse tempo, desenvolvemos o cultivo da celulose bacteriana, produto do curativo, com maior qualidade e menor custo possível", declara.

Após realizar todos os testes, as feridas da mãe foram cicatrizadas.

Moreschi, então, deu entrada no pedido de patente em 2000 e, três anos depois, conseguiu registro da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para venda e comercialização do curativo.

Usada especialmente para feridas crônicas e queimaduras, hoje a membrana é produzida em escala comercial na empresa, em Almirante Tamandaré, região metropolitana de Curitiba.

"Ela funciona como uma barreira fisiológica. Isola a ferida de bactérias, mas, ao mesmo tempo, permite a passagem de líquidos, o que é comum em machucados", explica o pesquisador.

As vendas começaram em consultórios médicos e hospitais, mas agora a empresa se prepara para distribuir o curativo para farmácias.

"Somos uma empresa pequena, por isso começamos dessa forma. Fizemos um trabalho com os médicos, para que eles pudessem conhecer o produto e, então, passassem a utilizá-lo. Fazer propaganda na televisão, por exemplo, banaliza o produto. Não dá", afirma.

A expectativa é que o curativo esteja disponível em pelo menos 500 pontos de vendas pelo país até o fim deste ano.

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