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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Loja de brinquedo educativo usa fantoche e casinha para encarar eletrônicos


Em meio a smartphones e tablets, que atraem cada vez mais a atenção das crianças, ainda há espaço no mercado para brinquedos educativos de antigamente, como fantoches, carrinhos de madeira, casa de boneca, dominó, quebra-cabeça e toca de índio.

Segundo dados da Abrinq (Associação Brasileira de Fabricantes de Brinquedos), dos R$ 3,87 bilhões arrecadados pelo setor, em 2012, cerca de 10% (R$ 387 milhões) vieram da venda de artigos educativos.

Na loja Verde Limão Brinquedos, em São Paulo (SP), os principais compradores de artigos educativos para as crianças são os avós, segundo a proprietária Dora Farano Casimiro Costa, 47.

"Os avós ficam encantados porque os brinquedos lembram os que eles tinham na infância", declara.

De acordo com a empresária, depois dos avós, os que mais compram artigos educativos são os tios e madrinhas e, por último, os pais. "Ainda há uma preferência por brinquedos eletrônicos ou movidos a pilha na escolha dos pais", diz.

A loja foi aberta em 2007. Na época, Costa afirma ter investido, aproximadamente, R$ 50 mil. Os itens mais vendidos são fantoches, livros, pião de lata, casas de boneca e toca de índio, feita com bambu. Os preços variam de R$ 14 a R$ 600.

Por mês, a empresa vende, em média, 500 brinquedos. O faturamento não foi informado.

Já na loja Tró-ló-ló, na capital paulista, os brinquedos mais procurados são os feitos de madeira, como carrinhos, caminhões e trenzinhos. Os preços variam de R$ 35 a R$ 150, dependendo do produto.

A empresa começou suas atividades em 1979. Na época, a Tró-ló-ló apenas vendia brinquedos educativos. Pouco tempo depois, o dono da loja, Horácio Massoni, 65, resolveu abrir uma fábrica e começar a produzir suas próprias peças.

Mas, em 2008, ele decidiu que suspender a produção e ficar apenas com a loja seria mais rentável para o negócio.

"No Brasil, há muitos encargos para se manter uma indústria. Além disso, a concorrência no mercado é alta e decidimos que seria melhor manter apenas a loja", diz Massoni. Os valores de faturamento e investimento inicial não foram revelados.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Por falta de opção para gordinha, empresária abre loja de lingerie sexy GG


A dificuldade em encontrar lingerie sexy e que vestisse bem seu corpo 16 quilos acima do peso ideal foi o que motivou Andrea Vasques, 42, a empreender.

Mesmo com as medidas fora dos padrões da moda, a administradora de empresas, que vive em Brasília (DF), queria surpreender o marido e se sentir bem, mas não encontrava opções de peças atraentes para o seu tamanho.

Há dois anos, ela encontrou um fabricante de lingeries que produz peças de tamanho grande e que seguem a moda. Ela passou a revender os produtos em feirinhas do Distrito Federal e, em novembro do ano passado, adquiriu um ponto comercial que já estava montado e inaugurou a loja Andrea Vasques Moda Plus Size.

"No começo, foi difícil convencer as clientes que elas poderiam se sentir sexy, usar lingerie com renda, com estampa de oncinha, espartilhos. Tive de começar a vender peças básicas, nas cores bege, branca e preta. Depois de ver essas opções, elas experimentavam outras mais elaboradas e passavam a comprá-las", conta a empreendedora.

Além de lingeries, ela agora vende roupas e moda praia, que inclui biquínis, maiôs e saídas de praia. Os tamanhos vão do 42 ao 64. Para conquistar e manter a clientela, ela faz ajustes quando necessário e vende peças avulsas, separadas do conjunto.

"Às vezes, uma cliente veste 56 no quadril e 52 no busto. Temos que oferecer produtos para as necessidades delas."

Assim como as lingeries, as demais peças da loja querem fugir do básico em roupas para gordinhas. "Desde o início eu não quis vender legging e camisetona. Quero usar meu espaço para vender roupas fashion e de bom gosto", declara.

Vasques conta que, apesar disso, a maioria das clientes chega na loja querendo o pretinho básico, que afina a silhueta. Só na segunda compra é que elas estão mais abertas para tentar novas cores, diz a empresária.

A loja vende mais de 300 peças por mês e tem mais de 2.000 clientes cadastradas. Os preços vão de R$ 19,90 para calcinhas a R$ 498 para vestidos de festa. Vasques diz que pelas poucas opções em tamanho grande que existem no mercado, as clientes estão acostumadas a pagar mais quando encontram produtos da moda.

Tadeu Bastos Gonçalves, da São Judas consultores, especializado em gestão de empresas de confecção, diz que, em geral, as peças de tamanho grande custam de 20% a 30% a mais que os tamanhos tradicionais.

"Tamanhos maiores consomem mais materiais – tecido, renda, aviamentos. Se tiver aplicação, tem que ser maior, proporcional ao tamanho. Isso aumenta o custo. Um estilista especializado neste tipo de roupa pode ajudar a melhorar o aproveitamento dos materiais, criando recortes diferentes, por exemplo", declara.

Segundo o consultor, algumas confecções resolvem apostar no mercado GG, mas não se especializam e acabam fabricando peças com as medidas erradas, que ficam desconfortáveis e com o mau caimento no corpo. Por isso, é importante ter modelos para provar as peças.

"Algumas confecções têm, inclusive, contrato com modelos gordinhas para fazer as provas", conta.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Mãe cria franquia antiácaro por falta de opção para filha com alergia


As alergias de pele e os problemas respiratórios da filha fizeram Sarah Lazaretti, 54, deixar de lado a carreira de enfermeira obstetra e empreender. Há 20 anos, ela fundou a Alergoshop, rede de franquias de lojas especializada em produtos para pessoas alérgicas.

Ela conta que a filha Marina, na época com três anos, tinha dificuldade para dormir por causa de coceiras e crises de asma por causa de ácaros e fungos.

"O médico dela falava de produtos que existiam no exterior e poderiam amenizar os problemas, mas que não eram vendidos no Brasil. Eu tinha de pedir para amigos que iam para fora do país comprar para mim".

Ela imaginou que, assim como ela, outras pessoas tinham dificuldade em encontrar produtos específicos para alergias e conversou com os médicos da filha e com alergistas e pneumologistas do hospital em que trabalhava até ter certeza de que era uma boa oportunidade de negócio.

Outra que foi motivada pela maternidade a abrir um negócio próprio foi Ana Paula Harley, 42. Ao ter os gêmeos João e Fernando, ela teve a ideia de trazer dos Estados Unidos a rede de escolas FasTracKids. A mãe de primeira viagem, Helena Toledo, 37, também se inspirou, durante a gravidez, a abrir uma loja especializada de artigos para bebê.

O consultor Gustavo Carrer, do Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de apoio à Micro e Pequena Empresa do Estado de São Paulo), diz que a maternidade coloca a mulher em contato com produtos e serviços que ela não conhecia antes.

"Isso amplia horizontes e pode ajudar a identificar uma oportunidade de negócio. Além disso, a pausa necessária no trabalho e a experiência intensa de ser mãe faz a mulher rever seus planos de carreira e de vida e pode levar à decisão de empreender", diz.

Com investimento inicial de cerca de R$ 14 mil, Lazaretti e a irmã começaram a importar e a vender produtos antialérgicos numa pequena loja em São Paulo.

Após algum tempo, passaram a produzir itens próprios com empresas parceiras, como capas antiácaros para colchões e travesseiros e cosméticos especiais (xampu, condicionador, esmalte, maquiagem etc).

A rede também comercializa produtos de limpeza hipoalérgicos e que eliminam ácaros e fungos, por exemplo, além de umificadores de ambiente, inaladores e produtos para melhorar a respiração.

A divulgação da loja foi feita com a ajuda de médicos e por meio da participação em congressos de alergia. Hoje, a rede possui três lojas próprias em São Paulo e, ano passado, adotou o formato de franquias para expansão.

Já há unidades franqueadas em Campinas (SP), Teixeira de Freitas (BA), Teresina (PI) e em implantação em Vitória (ES) e no bairro de Moema, em São Paulo.

Segundo Lazaretti, a maior parte dos franqueados é de pessoas que se interessam pelo segmento por terem alergia ou algum caso assim na família e, ainda, mulheres de médicos.

O segundo filho da empresária, Caio, 18, também tem os mesmos problemas de saúde que a primeira filha. "Já tive de buscá-lo de madrugada na casa do amigo porque ele não consegue dormir sem capa de colchão e travesseiro."

Com cuidado constante, Marina, 23, está com as alergias controladas e já ajuda a mãe na gestão do negócio. "Ela faz faculdade de marketing e cuida da área da empresa", diz, a mãe, orgulhosa.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Engenheiro fatura R$ 100 mil com curativo feito para a própria mãe


Após acompanhar por 10 anos as tentativas de cicatrização de diversas úlceras nas pernas da mãe, Vitória, o engenheiro florestal João Carlos Moreschi, 66, decidiu estudar uma forma de desenvolver um curativo que auxiliasse na secagem das feridas.

Em uma conversa com o médico que a atendia, Moreschi percebeu que a dificuldade de cicatrização era agravada pela falta de "respiro" dos curativos usados nas feridas. "Minha mãe já não andava mais. As feridas ficavam abertas e eram grandes", conta.

Com um investimento inicial de R$ 50 mil, Moreschi criou a Membracel, em 2000, e começou a produzir, em Curitiba (PR), o Membrana Regeneradora Porosa Membracel. Hoje, fatura R$ 100 mil por mês com o produto, que comercializa para hospitais.

Moreschi, que já trabalhou na área de microbiologia e celulose, começou a pesquisa para criar o curativo em 1992. O desenvolvimento da membrana porosa durou seis anos.

"Durante esse tempo, desenvolvemos o cultivo da celulose bacteriana, produto do curativo, com maior qualidade e menor custo possível", declara.

Após realizar todos os testes, as feridas da mãe foram cicatrizadas.

Moreschi, então, deu entrada no pedido de patente em 2000 e, três anos depois, conseguiu registro da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para venda e comercialização do curativo.

Usada especialmente para feridas crônicas e queimaduras, hoje a membrana é produzida em escala comercial na empresa, em Almirante Tamandaré, região metropolitana de Curitiba.

"Ela funciona como uma barreira fisiológica. Isola a ferida de bactérias, mas, ao mesmo tempo, permite a passagem de líquidos, o que é comum em machucados", explica o pesquisador.

As vendas começaram em consultórios médicos e hospitais, mas agora a empresa se prepara para distribuir o curativo para farmácias.

"Somos uma empresa pequena, por isso começamos dessa forma. Fizemos um trabalho com os médicos, para que eles pudessem conhecer o produto e, então, passassem a utilizá-lo. Fazer propaganda na televisão, por exemplo, banaliza o produto. Não dá", afirma.

A expectativa é que o curativo esteja disponível em pelo menos 500 pontos de vendas pelo país até o fim deste ano.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Jovens criam site e vendem produtos exclusivos para cabelos de mulher negra


A dificuldade de encontrar cosméticos específicos para cuidar dos seus cabelos motivou a jovem Carolina Lima, 27, a criar um site para oferecer produtos exclusivos para mulheres de cabelos crespos, cacheados ou alongados, o Prapreta.

"Eu tinha uma necessidade e o que eu encontrava no mercado não me agradava", diz a empresária.
Junto com a sócia Alana Lourenço, 26, uma amiga que acompanhava a sua saga para encontrar produtos específicos para cabelos crespos, ela investiu R$ 20 mil –R$ 15 mil de um empréstimo e R$ 5.000 em recursos próprios–  para começar o negócio.

Com o dinheiro, elas desenvolveram o site, fizeram as instalações da empresa e montaram um estoque para começar as atividades em outubro do ano passado.

Atualmente, o site revende 60 itens, como xampús, condicionadores, finalizadores e cremes de tratamento (para hidratação e reconstrução) de marcas nacionais e internacionais, para cabelos crespos e cacheados.

A empresa não informa o faturamento e a margem de lucro.  Os preços variam de R$ 6 (creme) a R$ 400 (kit com quatro produtos – xampú, condicionador, hidratante e óleo).

Sócias queriam nome de impacto e de fácil fixação
Amigas desde 2005, Carolina Lima e a sócia se formaram na Faculdade de Jornalismo da Universidade São Judas Tadeu, em 2008. As duas atuaram no jornalismo até o final de 2011, quando decidiram mudar de atividade.

Com base na experiência consumidora de Lima e no conhecimento sobre comércio eletrônico de Lourenço, que fez cursos sobre a área, elas decidiram montar um plano de negócio com foco no consumo da mulher negra e na internet como canal de vendas.

Segundo Lima, o nome Prapreta surgiu logo depois que as sócias definiram qual o público que elas desejavam atingir. "Queríamos um nome que causasse impacto e que fosse facilmente fixado pelos consumidores", declara.

Segundo a consultora Elderci Garcia, do Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo), apesar de o comércio eletrônico baratear os custos do negócio, os investimentos em tecnologia e em logística devem ser frequentes para quem opera nessa plataforma de vendas.

De acordo com a consultora, consumidores que compram produtos pela internet queixam-se de problemas, desde o pagamento até o prazo de entrega. Reclamações sobre transações com cartão de crédito e descumprimento do prazo de entrega são corriqueiros.

Como a venda é rápida e há muitos concorrentes, a consumidora vai logo em busca de outro fornecedor, afirma Garcia. "Os produtos de beleza são itens da cesta básica da mulher brasileira. E, por haver muita oferta, sai na frente quem oferece qualidade e facilidades", diz a consultora.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Ex-detento fatura mais de R$ 1 milhão com cooperativa de reciclagem


Depois de cumprir pena de seis anos no presídio da Papuda, em Brasília (DF), por assalto e roubo de carro, Fernando de Figueiredo, 44, foi em busca de uma oportunidade de trabalho, mas sem sucesso. Resolveu, então, abrir um negócio próprio junto com outros egressos do sistema prisional.

Hoje fatura mais de R$ 1 milhão por ano –entre R$ 120 mil e R$ 150 mil por mês– com a cooperativa de reciclagem de madeira Sonho de Liberdade, e gera uma renda mensal de R$ 1.000 a  R$ 4.000 para os cooperados.

Segundo Figueiredo, o negócio surgiu porque um grupo de 10 colegas não conseguia trabalho. "O mercado, de modo geral, rejeita presidiários", diz. 

Atividade começou com a produção de bolas
Por dominarem a técnica de fabricar bolas de futebol –prática que adquiriram no presídio–, montaram um negócio na área para vender de porta em porta.

Depois de dois anos de mercado, a concorrência chinesa arrasou o negócio –as vendas despencaram mais de 50%, passando de 500 unidades por mês para 250. Símbolo da empresa, a bola foi trocada, em 2007, pela reciclagem da madeira utilizada pela construção civil e depositada no aterro do Distrito Federal.

Figueiredo afirma que a cooperativa tem entre seus clientes duas indústrias do agronegócio: Cargill e Bunge. Desde o início, a estratégia de negócio foi buscar parceiros privados e públicos.

"Percebemos uma nova oportunidade de negócio, pois era uma montanha de madeira parada na nossa  frente", diz Figueiredo.

Os cooperados afirmam que reciclam 1.500 toneladas por mês. Eles separam a madeira, que depois é triturada e vendida à indústria, onde vira combustível para as caldeiras.

Uma parte é trabalhada para confecção de móveis rústicos.

De acordo com Figueiredo, quando a cooperativa de reciclagem começou a dar resultado, os cooperados decidiram fazer uma parceria com a UNB (Universidade de Brasília), que criou uma linha de seis produtos.

A universidade fez o design dos móveis, e os preços variam de R$ 300 (poltrona) a R$ 1.300 (mesa de centro). Os produtos são vendidos sob encomenda para restaurantes, lojas e empresas.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Inventor faz mesa, cadeira e outros móveis com latinhas no meio da Amazônia


Uma ideia pode demorar um segundo, um dia ou um ano para surgir. Mas, às vezes, pode demorar um pouquinho mais. No caso de Adriano Bezerra de Sousa, a ideia de construir móveis com tampas de latas de alumínio demorou quinze anos para se concretizar.

"Eu sempre quis inventar um produto que pudesse ser fabricado em grande escala, fosse do interesse das pessoas e gerasse algum tipo de melhoria ambiental e social", disse. 

O processo de fabricação foi patenteado pelo inventor. A fábrica da Móveis Ecológicos da Amazônia fica na pequena cidade de Caracaraí (a cerca de 141 km de Boa Vista, em Roraima) e emprega dez funcionários.

"Vendemos nossos móveis para todo o Brasil. As encomendas chegam pelo Facebook ou pelo nosso site", afirmou.

Inovação surgiu da necessidade
Sousa afirma que já fez de tudo um pouco na vida. E foi quando menos esperava que surgiu a ideia de produzir com produtos que seriam desperdiçados.

"Fiz um suporte de mesa para panelas com tampinhas de garrafa. Aí tive um estalo e descobri que poderia fazer muito mais com esse tipo de material. Minha inovação surgiu da necessidade", disse.

Ex-proprietário de uma casa noturna, o empresário juntava as latas no final da noite para produzir os móveis. Hoje, o material é comprado de catadores da cidade por um preço acima do que é pago pelo mercado.

A Móveis Ecológicos da Amazônia produz mesas, cadeiras, lixeiras, bancos, fruteiras, entre outros. São confeccionadas cerca de 200 peças por mês.

As cadeiras, feitas com 1.600 tampas de latas, custam cerca de R$ 250. Já as mesas, com cerca de 1.000 latinhas, saem por R$ 300.

Falta apoio e investimentos
Apesar do sucesso que faz por feiras onde expõe seus produtos, nem tudo é alegria na vida de Adriano. Segundo o empresário, falta dinheiro para investir na fábrica.

"A gente tem bastante dificuldade [para investir]. Estamos batalhando para tentar ampliar o nosso negócio. Não conseguimos suprir toda a demanda que temos hoje". 

Para a representante do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa) em Roraima (RR), Delma Andrade, é preciso apoio para que um projeto possa sair do papel.

"A inovação está em todo lugar. É preciso apoiar. O início é o período mais difícil e é nesse momento que o empreendedor mais precisa de ajuda", disse.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Empresárias fazem lingerie especial para mulher que precisou retirar a mama


Há 30 anos, a prima de Myriam Sanchez, fundadora e sócia-proprietária da loja Mama Amiga, de São Paulo (SP), foi diagnosticada com câncer de mama e precisou ser submetida a uma mastectomia (retirada da mama).

As dificuldades não se limitaram ao tratamento da doença, que, segundo o Inca (Instituto Nacional de Câncer), é o segundo tipo de câncer mais comum entre as mulheres.

Vaidosa, ela não encontrava produtos específicos para quem passou pelo procedimento. Foi quando Sanchez resolveu pesquisar mais o mercado e investir R$ 100 mil para abrir a empresa, em 1984.

Hoje, produz sutiã, biquíni e maiô, e fornece próteses para mulheres que precisaram retirar a mama. Os preços variam de R$ 192 a R$ 449. Ela diz que vende a média de 50 sutiãs e 60 próteses por mês, e que a linha representa 80% do seu faturamento.

Outra companhia que resolveu criar uma linha especial para atender a esse público foi a Ouseuse, de Juruaia (MG). A empresária Rosana Marques diz que investiu no negócio mais pelo apelo social. Hoje vende 2.000 peças por mês. Cada uma custa, em média, R$ 49,90.

As peças criadas para mulheres que foram submetidas a uma mastectomia são confeccionadas com um compartimento para que ela consiga encaixar a prótese e a mantenha mais segura na altura dos seios. 

Processo de criação das peças segue a moda
Para confeccionar as peças da Mama Amiga, Sanchez diz que avalia o que está na moda, como cor, tecidos, rendas e outros detalhes.

Ela afirma que acompanhou as dificuldades da prima, que não encontrava sutiãs coloridos e maiôs, apenas peças básicas. "Chegamos a ir ao Rio de Janeiro procurar peças na época." Por isso, hoje ela investe em design.

"A gente procura seguir as tendências para oferecer uma peça que se encaixe no perfil das nossas clientes. Tem alguns produtos que são concebidos conforme a demanda, pois a gente sabe que, se tem alguém pedindo uma determinada cor, é porque outras também procurarão em breve", diz.

No entanto, nem todos os pedidos das clientes são atendidos. "Se a pessoa pede um modelo inadequado, não produzimos. O sutiã, por exemplo, precisa atender à necessidade de ter um compartimento para colocar a prótese de silicone dentro", destaca Sanchez.


segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Empresas usam desenhos e frases de crianças para criar bonecos e joias


Desenhos e frases feitas por crianças são a fonte de inspiração para as peças de duas empresas paulistas, a Rabisquedo, de Sorocaba (99 km a oeste de São Paulo), que fabrica bonecos de pelúcia, e a Lica Vincenzi, na capital, que produz joias.

A empresa comercializa, atualmente, uma média de 120 bonecos personalizados (de 35 centímetros a 40 centímetros) de pelúcia por mês, feitos por encomenda pela internet, além de 1.500 modelos na cor branca (menino, menina, foguete, estrela e coração, entre outros), com tecido de pelúcia próprio para receber desenhos de caneta.

A linha branca é comercializada no atacado para escolas, instituições de ensino, bibliotecas e empresas de diversos ramos interessadas em presentear crianças.

"A meta é chegar a R$ 1 milhão em 2014, triplicando o faturamento", diz a diretora de marketing da Rabisquedo, Jéssica Domingues, 22.

A empresa, criada em julho de 2012 pelo programador de computadores Bruno Abdelnur, começou com um investimento de R$ 15 mil.

"A maior parte dos gastos foi com a papelada e com o registro da marca. O mais importante foi estruturar a empresa para que tudo funcionasse bem, não houvesse atrasos nas entregas e a qualidade fosse mantida", contou Jéssica. 

Para triplicar o faturamento no próximo ano, a Rabisquedo prepara o lançamento de mapas, números e letras de pelúcia, que pretende comercializar para instituições de ensino, além de pais e empresas interessadas em presentear crianças.

"O mercado é grande e pouco explorado." Além da nova linha de produtos, afirma a diretora, a ampliação do faturamento da Rabisquedo vai, também, ancorar-se na utilização de um aplicativo para celular, por meio do qual o cliente poderá enviar os desenhos e já fazer sua encomenda.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Enganada por mecânico, ex-bancária abre oficina de carros para mulheres


Depois de ser enganada por um mecânico e descobrir que desembolsou uma quantia alta por peças que não existiam em seu carro e por serviços desnecessários, a ex-bancária Agda Oliver, 31, resolveu estudar o básico de mecânica de automóveis e identificou uma oportunidade de negócio.

Desde 2010, ela deixou de lado a formação em sistemas de informação e a carreira de bancária para abrir a Meu Mecânico, oficina voltada para mulheres, em Brasília (DF).

"Fiz um curso básico de mecânica para nunca mais ser passada para trás, só não contava que iria adorar o assunto", declara. Agda Oliver é uma das finalistas do prêmio Sebrae Mulher de Negócios.

O resultado final será divulgado na quinta-feira (7), em premiação que irá reconhecer proprietárias de micro e pequenas empresas, participantes de negócios coletivos e empreendedoras individuais com histórias de superação.

Da ideia de negócio até a inauguração da oficina, foram dois anos de divergências com o marido e de preparação para administrar o empreendimento. "Eu queria usar a poupança que tinha com meu marido para investir na empresa, mas ele era contra porque o dinheiro era para dar entrada na nossa casa própria. Quando viu que eu não ia desistir da ideia, ele cedeu", conta.

Serviços de beleza como cortesia atraem clientes
A empresa possui paredes cor de rosa e oferece mimos para as clientes, como massagens, limpeza de pele, manicure e pedicure. A parceria com outros estabelecimentos ajuda a manter os clientes e divulga os serviços de outras empresas.

O sucesso se vê nos números: em 2010, o faturamento inicial era de R$ 20 mil e a empresa tinha apenas um funcionário. Hoje, ela fatura R$ 60 mil e já tem seis empregados. "No início, eu colocava a mão na massa. Fazia troca de óleo, de pastilha, de disco de freio, balanceamento. Agora, só cuido da administração e do marketing."

Mulheres ficam à vontade
Oliver diz que cerca de 65% dos clientes são mulheres e ela atribui isso ao ambiente e ao atendimento. "Temos três funcionárias e sempre há muitas mulheres aqui. Assim, elas não se sentem um peixe fora d"água. Explicamos quais são os problemas do carro, mostramos as peças, comparamos com outros porque sabemos que elas não têm muito conhecimento do assunto."

Outra iniciativa para familiarizar as mulheres com o ambiente da oficina mecânica é o projeto TPM – Terça Para Mulheres. Às terças-feiras, clientes que levam seus veículos para manutenção recebem serviços de beleza na própria oficina. "Quero que minhas clientes saiam poderosas, e não revoltadas e chateadas com o atendimento, como aconteceu comigo há alguns anos", afirma.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Empresário "nerd" usa coleção de gibis e games para abrir bar temático


Motivo de piada no passado, os "nerds" deram a volta por cima. Agora, chamados de "geeks", eles ganharam popularidade e se tornaram o público-alvo de alguns bares.

Em São Paulo (SP), o empresário Tiago Almeida, 33, deve inaugurar em novembro, um bar com foco nos "nerds", o Gibi Cultura Geek.

O espaço de 92 metros quadrados terá uma biblioteca com mais de mil exemplares de HQs (histórias em quadrinhos) para leitura e transmissão de séries, como "The Walking Dead", "Game of Thrones" e "The Big Bang Theory", ao vivo, seguidas de discussões.

O empresário estuda, ainda, a possibilidade de exibir DVDs de séries antigas. 

Também estarão disponíveis para a comercialização gibis, jogos e miniaturas de heróis e personagens.

Na exibição das séries ao público, o bar não pode cobrar entrada ou ingresso, segundo a analista do Sebrae-MG (Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa de Minas Gerais) Mônica Stela Castro. "Para a exploraração com fins comerciais é preciso uma licença dos produtores", diz.

"Sempre fui 'geek' de carteirinha e percebi que faltava um lugar para nos encontrarmos. A prova disso é que, antes mesmo de abrir o negócio, já fechamos a realização de dois eventos no nosso espaço e a ideia é fazer de lá um local para discussões", diz Almeida.

O investimento para tirar a ideia do papel foi de R$ 500 mil, segundo ele. O empreendedor afirma que a intimidade com o público-alvo e a percepção de um mercado crescente foram fundamentais para abrir a própria empresa.

"Houve uma ascensão do 'nerd', principalmente por meio de personalidades como Bill Gates, Steve Jobs e Mark Zuckerberg. Além disso, o cinema descobriu o potencial do universo 'geek' e todo ano lança filmes com super-heróis", declara.

A previsão de faturamento do negócio é de R$ 100 mil por mês. "Recentemente, vi que em Chicago, nos Estados Unidos, também será aberto um bar para 'geeks'. Esta é mais uma indicação de que estamos no caminho certo", diz.

O bar ao qual Almeida se refere é o Geek Bar. Os criadores do espaço colocaram a ideia na internet para arrecadar recursos. Até a última terça-feira (20), US$ 32,1 mil (R$ 77,2 mil) haviam sido arrecadados.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Produtora fatura R$ 420 mil com vídeo, foto e transmissão de parto via web


Transmissão do nascimento do bebê em tempo real pela internet ou na sala de espera do hospital, filmagem e fotografias são alguns dos serviços oferecidos por empresas especializadas na produção de vídeos de partos. Algumas companhias chegam a faturar até R$ 420 mil por mês.

A maior parte do lucro dessas empresas vem da negociação com os hospitais, que pagam pelo serviço de vídeo para agradar aos clientes, segundo as produtoras. Se desejarem uma cópia da gravação, os pais desembolsarão em torno de R$ 50 por um DVD. Um álbum com até 70 fotos pode custar R$ 350. 

O serviço de transmissão online em tempo real é oferecido, na capital de São Paulo, pela Publivídeo, que está no mercado desde 1992. A produtora atua na unidade do Itaim Bibi do Hospital e Maternidade São Luiz, zona sul da capital paulista. A transmissão dura de 12 a 15 minutos.

A produtora também oferece o serviço para casais que desejam filmar ou transmitir o parto pela internet, mas o hospital onde a gestante está internada não dispõe desse tipo de assessoria.

De acordo com o diretor da empresa, Paulo Gomes, 51, para adquirir o serviço, a gestante precisa assinar um termo de adesão no ato da internação.

O acesso às imagens do centro obstetrício é feito por uma senha, entregue ao pai ou responsável no momento da internação. O código é distribuído aos familiares e amigos, que podem assistir ao parto de qualquer computador.

As imagens exibidas são os momentos da mãe com o bebê logo após o nascimento. Os apresentadores Adriane Galisteu e Otavio Mesquita são alguns dos clientes da produtora.

Produtora quer publicidade na internet

Segundo Gomes, a Publivídeo começou o projeto de transmissão pela internet no final de 2010. Em março deste ano, a empresa passou a negociar a venda de publicidade. A ideia é inserir comerciais de até 30 segundos antes do parto começar e banners de cinco segundos abaixo do vídeo durante o nascimento.

A proposta já foi apresentada para algumas agências de publicidade. O empresário afirma que investiu R$ 50 mil no novo projeto e quer ampliar o faturamento em 10%. 

A unidade Hospital e Maternidade do Itaim faz 19 partos por dia. A produtora quer apresentar a proposta para mais seis hospitais.

A Publivídeo começou no mercado com um aparelho de vídeo e duas máquinas fotográficas e hoje fatura por mês R$ 420 mil, com um lucro de R$ 105 mil.

Além de internet, a produtora oferece serviços de books fotográficos e filmagens, com preço que variam de R$ 1.290 (de 60 a 120 fotos em alta resolução) a R$ 2.750 (filme em alta resolução de três minutos personalizado).

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Estilistas lançam grifes exclusivas para pessoas com deficiência física


Calça que se transforma em saia e calça jeans com elástico e velcro são algumas das peças criadas pelas grifes Lado B Moda Inclusiva e Lira, exclusivamente para pessoas com deficiência física.

As empresas, ambas no Estado de São Paulo, produzem roupas com modelagem mais solta e fechamento diferentes para facilitar o dia a dia desse público.

Segundo as estilistas que criam as peças, um cadeirante precisa de roupas com tecidos mais confortáveis e com opções de abertura e fechamento mais práticas por causa da sua limitação de movimento.
De acordo com o censo demográfico de 2010, feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 45,6 milhões de brasileiros declararam possuir pelo menos uma das deficiências investigadas na pesquisa –mental, motora, visual e auditiva.

O levantamento aponta, ainda, que  3,6 milhões têm deficiência motora e 1,7 milhão sofre de deficiência auditiva.

Com sede em Sorocaba (99 km a oeste de São Paulo), a Lado B Moda Inclusiva é um projeto da fisioterapeuta Dariene Rodrigues, 35, que lançou a loja virtual em julho.

Com a experiência de 14 anos de profissão, ela percebeu que havia uma demanda forte nesse setor. "Sempre ouvi meus pacientes falando sobre a dificuldade de encontrar uma roupa", diz ela.

Rodrigues investiu R$ 40 mil no projeto, que incluiu a contratação de uma agência de publicidade (para desenvolver a marca), de um webdesigner (para criar a loja virtual), a entrada no pedido patente dos produtos e gastos com a parte de confecção de uma forma geral. 

A produção é totalmente terceirizada, desde o corte de roupas até a lavagem.

Desde julho, a grife já vendeu 30 peças. Atualmente, a Lado B Moda Inclusiva comercializa suas peças exclusivamente pela internet.

Em outubro ela vai oferecer os produtos para representantes comerciais de empresas do ramo da medicina e ortopedia.

Os modelos de bermuda custam, em média, R$ 158 e as calças variam de R$ 169 a R$ 197,40. A margem de lucro é de 40% a 50% e sua estimativa de retorno é de um ano a um ano meio.

A Lira, na capital paulista, foi fundada pelas amigas Julia Sato, 26, e Inaye Brito, 25, em 2010.

As duas começaram a trabalhar juntas no curso Têxtil e Moda da USP (Universidade de São Paulo) e foram finalistas (4º lugar) do Bezgraniz Couture Award 2012, concurso internacional de moda inclusiva, realizado em Moscou (Rússia).

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Moda evangélica, com pouco decote, agita economia de Agrestina (PE)


No município de Agrestina (a 155 km do Recife), as roupas curtas, decotadas e justas estão cada vez mais escassas nos cabides e manequins das lojas. Isso porque, cerca de 80% das roupas produzidas por lá são voltadas para o segmento de moda evangélica.

Segundo estimativa da Associação Comercial e Industrial de Agrestina, das 50 empresas do ramo têxtil, 40 são voltadas apenas para esse público.

Por mês, cerca de 120 mil peças evangélicas são produzidas e parte delas exportada para outros 20 Estados, entre eles, São Paulo e Rio de Janeiro. As roupas são vendidas a valores que variam de R$ 25 a R$ 40.

De acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico do município, Wlademir Felix, as peças obedecem aos princípios da religião, mas sem fugir das tendências da moda.

"As roupas são mais compostas, são blusas com mangas, saias abaixo dos joelhos, vestidos sem decotes, mas, isso não quer dizer que são peças fora de moda", disse. Ainda segundo Felix, a maior parte das empresas pertencem a evangélicos de várias vertentes.

O microempresário Jurandir Martins, seguidor da igreja evangélica Congregação Cristã do Brasil, é um deles. Há 16 anos, Martins abriu a "Estrutura Moda Evangélica", que, como diz o nome, produz roupas voltadas apenas para esse público.

"Na igreja, as mulheres reclamavam que era muito difícil comprar roupas por aqui. Elas diziam que as vezes tinham que ir a outras cidades para conseguir algo que as agradassem, e foi aí que enxerguei um mercado promissor", diz.

Atualmente, a empresa de Martins possui 12 funcionários e vende para todos os Estados da região Nordeste, e alguns outros das regiões Norte, Centro-oeste e Sudeste.

Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Agrestina, a confecção têxtil é o terceiro maior setor da cidade de 23 mil habitantes, atrás apenas da pecuária e da construção civil. Segundo o secretário Wlademir Félix, o crescimento do setor supera os 10% ao ano.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Brincadeira atrai patrocínio e vira negócio no Instagram


A publicitária Luiza Voll e a jornalista Daniela Arrais são sócias na Contente, empresa de produção de conteúdo digital criada em 2010. Apesar de produzirem materiais a pedido das empresas, as empreendedoras e sua agência ficaram conhecidas por um projeto autoral, criado por elas sem a pretensão de ser comercial.

É o Instamission, que convoca os usuários do Instagram a fazer fotos relacionadas a um tema por semana. Cada um deles é considerado uma missão e pode render premiação aos participantes. O projeto, lançado em fevereiro de 2011, foi ganhando adeptos na rede social e chamou a atenção de empresas, que procuraram as empreendedoras com o objetivo de patrocinar missões e divulgar sua marca.

"O modelo de negócio das missões patrocinadas surgiu com a primeira demanda. Nós não tínhamos pensado nisso, nossa ideia era só diversão", diz Luiza Voll. Cinco meses depois do lançamento do Instamission, foi feita a primeira missão patrocinada, que convidou as pessoas a fotografarem cenas dignas de filme, com o apoio de uma fabricante de TVs.

Empresas oferecem prêmios para atrair participantes
Para patrocinar uma missão, as empresas pagam um valor fixo à agência, como se comprassem um anúncio, e oferecem um prêmio aos participantes. "O prêmio é muito importante, deve ser algo de valor não só financeiro, mas deve trazer algum benefício ou experiência para o ganhador", afirma a publicitária.

O engajamento das pessoas depende do tema da missão –quanto mais simples e atrativo, melhor– e do prêmio. As empreendedoras ajudam as empresas a formatar cada etapa do projeto, para que ele esteja alinhado com os interesses dos seguidores e participantes do Instamission. No entanto, elas não dão garantias de resultados.

"Já tivemos missões patrocinadas de grande sucesso, com mais de 14 mil fotos enviadas. Mas não podemos garantir a participação das pessoas, não é uma ciência exata", declara Voll.

Apesar de a comunidade do Instamission não ser tão grande –possui cerca de 25 mil pessoas–, ela acredita que as empresas se interessam pelo patrocínio porque podem entrar em contato com um público relevante para elas, formado por pessoas antenadas, usuários frequentes de redes sociais e formadores de opinião.

Desde o lançamento, já foram feitas 152 missões, 40 delas patrocinadas. Com o sucesso do Instamission já consolidado, a empresa aposta agora em um novo projeto, o Cinemission. Ele utiliza o aplicativo Vine, ainda pouco conhecido no Brasil, que permite gravar e compartilhar vídeos.

Seguindo a mesma dinâmica do Instamission, os usuários são convocados a fazer filmes curtos, de poucos segundos, sobre o tema da missão.

Segundo Gabriel Borges, sócio da Ampfy, agência de comunicação especializada em mídias sociais, o segredo para que a empresa não morra com a derrocada de uma rede social é entender qual é seu negócio principal. "Neste caso, as empreendedoras entenderam que sua principal atividade é criar ações autorais, independentemente da rede social."


segunda-feira, 18 de julho de 2016

Costureira de batinas do Maranhão sonha em vestir o papa


Com a ajuda de um primo padre e do que aprendeu quando estudou em colégio de freiras, na infância, a empreendedora Maria de Nazaré Nascimento montou o Ateliê Paramentos Religiosos, em São Luís (MA).

Na confecção, ela produz e comercializa todos os tipos de roupas e acessórios para padres: batinas, estolas (faixa usada sobre os ombros pelos religiosos durante as missas), túnicas, além de roupas para coroinhas, corais e toalhas de altar.

Em 2002, recém-separada, com duas máquinas de costura velhas na bagagem e algumas roupas religiosas já prontas, a empreendedora de Grajaú, cidadezinha no interior do Maranhão, resolveu tentar a sorte na capital, em São Luis. Ela levou seus dois filhos mais velhos –na época com 18 e 16 anos–, e deixou as duas filhas mais novas aos cuidados de sua mãe, em Grajaú.

Para ficar conhecida na cidade, ela promoveu uma exposição das roupas e fez amizade com as beatas e com os padres durante as missas. "Naquela época não havia crédito como hoje. Quando vendia uma peça, eu tinha dinheiro para comprar tecido e fazer outra. Fui crescendo assim, pouco a pouco, graças ao boca a boca", afirma Nascimento.

Apesar do começo difícil, ela sempre alimentou um sonho. "Quero vestir o Papa. Quem sabe agora, que o novo papa (Francisco) é um homem humilde e simples, eu consiga", declara.

Peças são padronizadas e loja virtual vende para o exterior
A empresa produz até 3.500 peças por mês e os preços variam de R$ 25 a R$ 800. As mais caras são feitas com tecidos importados. Todas as peças seguem padrões litúrgicos. Cada cor, por exemplo, tem um significado: o branco é usado em tempo festivo, como o Natal; o roxo, na quaresma; o vermelho na Páscoa; o verde nos dias comuns; e assim por diante.

No início, quem ajudava a empreendedora com dicas sobre os detalhes das roupas era um primo padre. Hoje, esse papel é do atual marido, que fez curso de liturgia. Com o sucesso da empresa, a empreendedora mandou buscar as duas filhas que tinham ficado no interior e agora todos trabalham no negócio da família.

Na sua empresa, Nascimento ainda faz um trabalho social. Ela ensina mães em dificuldade financeira a costurar e dá emprego com carteira assinada. O Ateliê Paramentos Religiosos possui 14 costureiras, todas contratadas por indicações de padres e amigos.

Há dois anos a empresária criou uma loja virtual e começou a vender suas peças para todo o Brasil e até para outros países. "Já vendi para Estados Unidos, Alemanha, Portugal, por indicação de brasileiros que vivem nestes países."

Ela se orgulha de poder oferecer paramentos religiosos a um preço justo para quem não tem condições de pagar.

"Antes, os padres tinham que sair do Maranhão para comprar suas roupas e acessórios. Os seminaristas tinham que pegar roupa emprestada para ordenação. Agora não. Vou à missa e vejo o padre usando as peças da minha loja. É muito bom!", declara.

Especialização é recomendada, mas exige cuidado
O consultor do Sebrae (Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa), Wlamir Bello, diz que se dedicar a um setor ainda pouco explorado é uma boa oportunidade de negócio, mas requer cuidado e muita análise.

"Quando se especializa, a empresa não perde o foco e tem menos concorrentes, o que torna o negócio muito atrativo. Por outro lado, quando se investe em um nicho muito específico, a companhia pode restringir o seu crescimento, já que seu público é limitado", comenta.

Segundo o consultor, para avaliar se vale a pena ou não investir na segmentação, o empreendedor precisa saber se terá um número mínimo de clientes para gerar receita mensal ou se o negócio é sazonal. Nesse caso, é preciso mensurar se o período de alta compensará o de baixa.

Ser fornecedor de uma única empresa ou cliente também pode comprometer o negócio, de acordo com Bello. "O cliente pode encontrar um novo fornecedor ou pode optar por treinar outra empresa para fazer o mesmo trabalho", alerta.

Para Bello, a empresa que já se consagrou em um segmento não deve se acomodar. "A companhia precisa ser versátil e começar a planejar o ingresso em outros setores antes que seja surpreendida pela saturação do mercado", diz Bello.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Dupla de jovens fatura R$ 2 milhões com aluguel de tablets


O que, para muitos, é um objeto de desejo virou o negócio de Guto Ramos e Rony Breuel, ambos de 26 anos, sócios da BR Mobile. Com um investimento inicial de R$ 12 mil, a dupla comprou seis tablets e começou a alugar os equipamentos para turistas, restaurantes e eventos corporativos.

Criada em maio de 2011, a empresa vai completar seu segundo ano de atividade com um faturamento anual de R$ 2 milhões. O número de tablets também cresceu e, hoje, já passa dos 400, segundo os sócios.

De acordo com Ramos, a locação de um tablet custa, em média, R$ 14,90 a diária. A maioria dos equipamentos permanece alugada todos os dias, segundo Ramos.

Para tornar a oferta mais atrativa para os clientes, diz  Ramos, a empresa também desenvolve aplicativos como cardápios digitais para bares e restaurantes.

No início, segundo o empresário, o foco do negócio era a locação de tablets para turistas. Mas a dupla percebeu que poderia lucrar mais se direcionasse os esforços para o setor de eventos corporativos.

Atualmente, a maior parte dos clientes da BR Mobile –entre eles Bradesco, Itaú, Renault e Vale–  aluga o equipamento para utilizar em congressos, seminários e lançamentos de produtos.

"Antes, as empresas tinham de comprar um ou mais tablets para usar em eventos que, às vezes, duravam um dia. Com a possibilidade de alugar, o custo para elas é bem menor", afirma Ramos.

Para se prevenir contra danos e furtos, a empresa contrata uma apólice de seguro para os aparelhos. Segundo o sócio Rony Breuel, no contrato com o cliente também é estipulada uma multa de R$ 500, caso o equipamento seja danificado ou roubado durante a locação. O valor é utilizado para pagar a franquia da seguradora, conta Ramos.

"Quando dói no bolso, o cliente fica mais cuidadoso. Ele não vai sair e deixar o equipamento jogado em qualquer lugar", afirma.

O negócio, sediado em São Paulo (SP), está em expansão. De acordo com os sócios, até o fim do primeiro semestre a empresa pretende inaugurar duas filiais, uma em Belo Horizonte (MG) e outra em Porto Alegre (RS).

Empresa do Paraná fatura R$ 15 mil por mês
Já os sócios Victor Coelho, 25, e Fernando Baggetti, 22, investiram R$ 50 mil para comprar os primeiros tablets e montar o escritório da Implement, em junho do ano passado.

A empresa curitibana aluga os aparelhos e desenvolve aplicativos para turistas, hotéis, restaurantes e também para eventos corporativos. Por mês, o negócio fatura R$ 15 mil e conta com 30 tablets. A diária de um equipamento custa R$ 17,90.

Segundo Coelho, o alto valor dos tablets é uma dificuldade para quem atua no setor. O preço de um iPad (referência de mercado) no site da Apple no Brasil varia de R$ 1.749 a R$ 2.499, dependendo da configuração.

O empreendedor que deseja iniciar um negócio no setor precisa de, no mínimo, cinco equipamentos, de acordo com o coordenador do curso de administração com foco em tecnologia da Fiap (Faculdade de Informática e Administração Paulista), Cláudio Carvajal.

"Essa quantidade possibilita que o empresário comece o negócio com pouco investimento e com equipamentos suficientes para prestar o serviço até sentir que os pedidos estão aumentando e precisa comprar mais tablets", diz Carvajal.

Para conseguir investir e ter lucro, Coelho diz que é preciso manter a maior parte dos aparelhos nas mãos dos clientes e não na sede da empresa. "Equipamento parado não gera lucro, por isso procuramos manter os tablets alugados todos os dias", diz.

O cálculo da diária, segundo Coelho, também é determinante para o bom andamento do negócio.  "O preço tem de estar adequado à realidade do cliente. Se for caro, ninguém aluga. Se for barato demais, não temos lucro", afirma.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Caçador de promoções cria site de busca de ofertas, e mania vira lucro


O publicitário Pedro Eugênio, 33, transformou seu hobby em um negócio. O hábito de juntar cupons de desconto para compras em lojas virtuais o fez ganhar fama entre amigos, que recorriam a ele sempre que queriam fazer uma compra online.

De tanto ser procurado para essa finalidade, ele criou um site para reunir os cupons em um só lugar, para facilitar o acesso às promoções. Assim surgiu, em 2006, o site Busca Descontos.

"Em um fim de semana eu criei o site e todas as noites eu o abastecia com mais promoções. Aos poucos, os acessos foram crescendo. De uma visita por mês passou para uma por semana, depois para uma por dia, uma por hora, até que eu percebi que era uma grande oportunidade", declara.

Depois de algum tempo, as lojas virtuais identificaram o número de visitantes que chegavam até suas páginas por meio do site de Eugênio e passaram a procurá-lo para fazer anúncios. Assim, ele viu seu hobby se transformar numa fonte de renda.

Em 2010, com o negócio já bem estruturado, ele deixou o cargo de executivo em uma grande empresa para se dedicar exclusivamente ao empreendimento que, na época, rendia cerca de R$ 1 mil por mês.

No mesmo ano, ele conseguiu um aporte do grupo investidor LeadMedia. Por questões contratuais, ele não revela o faturamento atual da empresa.

"Eu acreditava na ideia e resolvi arriscar, mesmo com meus filhos gêmeos recém-nascidos. Se não desse certo, o máximo que ia acontecer era eu ter que pedir meu emprego de volta ou arrumar outra ocupação", diz Eugenio.

O site reúne hoje 1.500 ofertas de cerca de 300 lojas virtuais, que são atualizadas diariamente, e tem 12 milhões de internautas cadastrados. O empresário conta que a criação do Busca Descontos não exigiu nenhum investimento.

"Apesar de não ser programador, eu sabia criar um site, ainda que básico, para começar o negócio", diz.

O lucro do site vem dos anúncios feitos pelas lojas virtuais.

O Busca Descontos também promove a versão brasileira da Black Friday,  ocasião em que as lojas virtuais oferecem descontos especiais, e o Dia do Frete Grátis, data que os sites de comércio eletrônico não cobram pela entrega de compras em todo o país.

Histórias como a de Eugênio são cada vez mais comuns entre empreendedores, como aponta o autor norte-americano Chris Guillebeau no livro "A startup de $100".

Ele diz que as pessoas estão se arriscando mais em negócios próprios com pouco investimento e deixando de lado carreiras promissoras em corporações para ter liberdade de se dedicarem ao que gostam.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Empresa transmite show via Facebook e fatura R$ 500 mil por ano


Gustavo Marques, 37, encontrou uma maneira de lucrar com música na internet. Há um ano ele criou a Livebiz, empresa que transmite shows ao vivo pela internet para usuários do Fabebook, e fatura R$ 500 mil por ano. 

A empresa se especializou em elaborar projetos para grandes companhias. Já transmitiu shows das cantoras Claudia Leitte e Maria Gadú para a página de uma marca de TV por assinatura na rede social, e da banda NX Zero para uma montadora de veículos.

Marques explica que, para as empresas, é interessante se conectar com o seu público por meio da música.

Foi a experiência de Marques na área digital de uma agência de comunicação que fez com que ele identificasse a necessidade das grandes empresas.

"Antes, as marcas só podiam se associar à música por meio de patrocínios de shows, mas o show não era visto como uma ação da marca e, sim, do artista. Agora, as marcas convidam artistas e realizam shows próprios, levam clientes especiais para assistir pessoalmente e transmitem on-line."

Dessa forma, ele diz, as grandes empresas entram em contato com seus consumidores e potenciais consumidores, em qualquer lugar do Brasil.

A Livebiz ajuda empresas a selecionar shows de interesse do público e faz a negociação para transmissão on-line ou contrata o artista para fazer um show específico para marca. Além de criar o conceito do evento e fazer o contato com o artista, a empresa de Marques fica responsável pela estrutura do show, como locação de espaço e cenário, e pela parte tecnológica da transmissão.

Ele não menciona valores, mas diz que os principais clientes da Livebiz são grandes empresas, devido ao custo elevado de projetos deste tipo. Segundo ele, não é difícil convencer os artistas a fazerem shows exclusivos para a transmissão pela internet.

"Grandes companhias se preocupam com a exposição da sua marca, que é o principal benefício de projetos musicais deste tipo. Elas querem se associar a artistas de grande porte e eles querem expor sua imagem para o público on-line. Além disso, a qualidade tecnológica da transmissão é fundamental para o sucesso", declara.