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quarta-feira, 12 de abril de 2017

Quer Empreender? Siga estes 3 Passos

Foco leva ao sucesso. Num mundo onde a capacidade de focar é mínima, aqueles que conseguem saem na frente. Apesar desta ser uma verdade quase absoluta, muitos empreendedores se esquecem do básico. Você só consegue fazer uma coisa (benfeita) por vez.
Como não sou capaz de definir “sucesso” (dinheiro? saúde? curtidas no Facebook?), prefiro me concentrar em três ideias práticas que podem ajudar os empreendedores a avançar na sua batalha diária.

Meditação


Mindfulness está na moda. Isso é bom e ruim. Bom, porque é muito legal que cada vez mais as pessoas se conscientizem de que é no momento presente que as coisas acontecem. Ruim, porque a maioria fica na superficialidade do conceito e, portanto, não consegue de fato usar essa ferramenta tão poderosa para mudar suas vidas.
Por isso, decidi focar aqui no elemento central do conceito de mindfulness, a boa e velha meditação. Diversos estudos provam os benefícios que a meditação traz, sendo o principal deles a capacidade de “zerar” a mente para enfrentar novos desafios, e tomar mais e melhores decisões. Sem nenhum tipo de ligação com dogmas, crenças e religiões, recomendo a leitura deste livro para a iniciação desta prática que, sem dúvida, vai te beneficiar.

Minimalismo

Nosso cérebro não está preparado para realizar mais de uma tarefa a cada momento. É um fato. Quando forçamos o modo multitarefa, ele pifa. Como normalmente empreendedores estão neste modo, dá para entender porque vivemos com tanto estresse e tomamos tantas decisões ruins sem percebermos. 
Uma das formas mais eficazes de evitar isso é reduzir a quantidade de “coisas” que chegam até você. Quanto menos decisões você tiver que tomar no dia-a-dia, melhores serão as que sobram. Pense: a cada manhã, antes de sair de casa, você toma uma série de decisões que gastam a sua “memória RAM” para o resto do dia.
Que roupa vestir, que notícias ler, que bagunça arrumar, que facebook, whatsapp, twitter atualizar... O minimalismo como estilo de vida busca evitar justamente isso. A proposta é ajudar a focar no que é realmente relevante para você, sem distrações. Para uma iniciação ao tema, recomendo a leitura deste site e deste outro.

Concentração

Como último ponto e, de certo modo, resumo dos demais, acho fundamental falar sobre a “arte de se concentrar”, o que não é fácil. Mais uma vez, nosso cérebro não está preparado para essa tarefa. Nossa capacidade de concentração é muito reduzida.
Quando juntamos isso às infinitas distrações do dia-a-dia, nos tornamos pouco criativos e muito improdutivos. Aqui o truque é novamente aceitar o momento presente. Sugiro o seguinte exercício: busque conversar com três pessoas que você considera altamente produtivas e, de certo modo, felizes. Entenda suas rotinas diárias, a forma como tomam decisões. Certamente você verá nelas uma alta capacidade de concentração nas ações que estão executando.
Nessa época pós-Olimpíada, pense nos esportistas de elite. O nadador e a corredora, quando estão competindo, estão concentrados. O foco é chegar à meta. Em primeiro lugar. Eles sequer estão pensando nos seus competidores. Eles se concentram no melhor que podem fazer naquele momento com seus próprios corpos. Se isso for suficiente para chegar na frente, ótimo! 
Se não for, sem dúvida eles sabem que chegaram no seu limite e vão aprender com aquela competição para melhorar no futuro. Como exercício adicional, veja muitas competições de esportes individuais (atletismo, natação etc.) para entender o que estou falando aqui. A lição sobre concentração é garantida.

 
A capacidade de focar e ter atenção plena é fundamental para a sobrevivência dos negócios e para a evolução profissional. Qualquer esforço para melhorar nesse sentido vale a pena.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

O trabalho de um dos melhores lavadores de carro do mundo

Paul Dalton é um desses profissionais: ele é responsável por lavar alguns carrões na Inglaterra, indo até a casa de seus clientes para fazer os serviços que custam, em média, £ 5 mil, ou pouco mais de R$ 25 mil em conversão direta. 
O preço altíssimo cobrado por Paul não é à toa: no processo de lavagem e detalhamento que ele faz, são usados apenas produtos da mais alta qualidade. 

Ele simplifica tudo em 10 passos:


    Primeiro ele aplica um produto desengordurante, que ajuda a "amolecer" e retirar a sujeira na parte mais baixa do veículo. Ele paga em torno de R$ 275 por cinco litros do líquido e explica: "Não é o mais barato, mas, definitivamente, é o melhor"

    Logo depois ele enxagua o carro, mas não com uma mangueira comum e muito menos com água normal: ele usa uma mangueira com uma pressão ideal e também mantém a água a uma temperatura de 35 graus, para não agredir a pintura do veículo

    O próximo passo é ensaboar o carro com um shampoo especial de PH neutro. Enquanto ele faz isso, ele explica que, caso estragasse a pintura da Maserati, o custo para repintá-la seria de R$ 150 mil ou mais, o que justifica todo o cuidado com os detalhes do trabalho

    Mais uma rodada de enxague

    Depois é hora de secar o carro, e nada das toalhas antigas que você usava na cozinha ou na lavanderia: são utilizados apenas panos de microfibra específicos para secagem automotiva, alguns, inclusive, com um lado hidrofóbico, que apenas "arrasta" a água pra fora da superfície do automóvel

    As rodas são lavadas de forma separada com um gel especial, com uma composição um pouco mais ácida. O detalhamento é feito com um pincel, para garantir que nenhum cantinho fique sujo

    Terminada a lavagem, é hora do acabamento: com um pedaço de argila especial (que custa por volta de R$ 100), ele retira partículas minúsculas de sujeira que podem ter ficado na pintura do carro

    Logo após, ele usa um foco de luz para identificar pequenas marcas e arranhões. Com o auxílio de um pequeno dispositivo de ultrassom que podem custar até R$ 15 mil, ele consegue identificar em quais áreas a tinta está mais fina, ajudando na parte de polimento

    Depois de polir, Paul prepara a pintura do veículo para receber a cera, com um líquido especial que custa R$ 175 a garrafa e que é aplicado com flanelas especiais que custam R$ 35 reais cada

    O último passo é a aplicação de uma cera de carnaúba que custa impressionantes R$ 30 mil por dois potes e que é aplicada a mão, como uma massagem automotiva.

O resultado é um tratamento de pintura que dura até seis meses. O principal problema de Paul e seus clientes? Cocô de passarinho. Seus clientes ligam e ele imediatamente se desloca para onde for para fazer a limpeza.



quarta-feira, 22 de março de 2017

Mulheres de Março

montar um pet-shop
Em outubro de 2013, a Kátia Gianini realizou um sonho antigo: montar um pet shop. Para fazer do seu amor por animais a sua fonte de renda, ela trabalhou por sete anos em uma empresa de call center e quando perdeu seu emprego, pensou: “por que não trabalhar com o que eu gosto?”. E ela sabia de uma coisa que gostava bastante: animais de estimação. Por isso, apesar de parecer loucura abrir seu próprio negócio, ela decidiu se aventurar pelo mundo do empreendedorismo.

Busca por informação


Apesar da expectativa e vontade enorme de ver o seu sonho concretizado rapidamente, Kátia não se deixou levar pela ansiedade. Ela começou a estudar sobre o mercado, procurou ajuda de órgãos como o Sebrae, fez vários cursos como o de banho e tosa, procurou a melhor forma de planejar, investir e aplicar o seu dinheiro e quando saiu de férias com a família, contou para a sua cunhada a respeito da sua nova empreitada e ambas abraçaram a ideia.
Sociedade

    “Fico vendo os meses anteriores, quando tivemos dois cachorros no mês… e mês passado, fechamos com 47 cachorrinhos.”

Junto com a cunhada, que topou a proposta de criar uma sociedade, Kátia começou a construir seu grande sonho, o de montar seu próprio pet shop. Juntas, em julho do ano passado, começaram a pesquisar as oportunidades de mercado e observaram que a zona leste de São Paulo era um bom lugar para começar. Em Tatuapé, encontraram um imóvel disponível para passar o ponto, onde antes funcionava uma venda de rações. Ainda em julho, fecharam negócio e no mês seguinte iniciaram a reforma no Pet Shop Tatuapé, que veio a ser inaugurado em outubro de 2013.

Visão empreendedora


Desde a reforma até a inauguração, Kátia e sua sócia tiveram tempo para planejar não só os custos do novo negócio, mas também para buscar ferramentas que as ajudassem na gestão do Pet Shop. “Desde o início, sabíamos que não dava pra manter tudo no papel. Ia virar um caos”, conta. Foi aí que elas encontraram um aplicativo online de gestão para Pet Shops que atendia perfeitamente às suas necessidades. Assim, desde os agendamentos até o controle de estoque e folhas de pagamento, tudo passou a ser guardado na nuvem, sendo crucial para o acompanhamento da sócia de Kátia, que tinha uma atividade paralela ao Pet Shop e acompanhava todas as atividades de sua própria casa, no seu computador.

Sucesso e crescimento


O Pet Shop Tatuapé já colhe os frutos da gestão de uma empreendedora determinada. “Eu trabalho com o que eu amo. Fico vendo os meses anteriores, quando tivemos dois cachorros no mês… e mês passado, fechamos com 47 cachorrinhos. Para este mês, projetamos muito mais, graças a Deus”, conta Kátia.

Essa é a história da Kátia. Qual é a sua? Conte para nós e inspire milhares de empreendedores.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Mulheres de Março

cristina boner
O primeiro contato de Cristina Boner com o mundo dos negócios foi quando ainda era criança e ajudava os pais, após as aulas, a tomar conta da pequena padaria da família. Mas até chegar onde está hoje – fundadora de uma empresa de tecnologia da informação com faturamento que chega a R$ 500 milhões – muita água passou por debaixo da ponte. E foi necessário, em todo este tempo, desconsiderar qualquer senso de limite e impossibilidade.

Cristina nasceu na década de 60 na cidade de Ribeirão Preto, interior do estado de São Paulo. Mudou-se para Brasília com a família quando tinha 15 anos. A cidade que a acolhera trouxera à garota um objetivo de carreira: tornar-se arquiteta e desenhar prédios tão imponentes quanto os que via pelas ruas daquele lugar pincelado, detalhadamente, por Oscar Niemayer.

Aos 18 anos passou no vestibular que tanto queria, mas não conseguiu conciliar os estudos porque já tinha que trabalhar para arcar com seus próprios gastos. “Na época muita gente falava que informática era uma carreira promissora. Grandes empresas tinham computadores que ocupavam salas inteiras e tinham técnicos para operá-los. Esse pessoal ganhava muito bem. Descobri que a PUC de Brasília tinha um curso de processamento de dados à noite. Passei no vestibular sem nunca ter visto um computador.”

Coragem para mudar


Aos 30 anos, Cristina já era professora universitária. Foi nesta época que teve o primeiro contato com o Windows, que começava a chegar ao Brasil. Com este primeiro contato, vislumbrou a empresa que, pouco tempo depois, seria uma das primeiras revendas brasileiras da Microsoft.

Para conseguir tocar a companhia, ela vendeu o automóvel Gol que tinha na época e convidou dois de seus alunos para serem estagiários. “Quem nasce empreendedor não demora muito para abrir seu negócio. Ninguém me disse que daria certo. É algo que vem de dentro para fora. Não tinha nem dinheiro para fazer pesquisa de mercado, tinha apenas a minha convicção técnica”, garante.

Desafio sem tamanho


Em 1996, Cristina ficou sabendo que Bill Gates estaria em Brasília para encontrar a primeira-dama na época, Ruth Cardoso, e ficou totalmente focada em conseguir uma reunião com ele. Mas a agenda do executivo estava, como era de se esperar, impossível.

“Mesmo assim o obstáculo não me desanimou. Lembrei que um amigo tinha um avião com que sobrevoava praias carregando anúncios de empresas. Pedi a ele que pintasse a maior faixa disponível, de 150 metros de comprimento, com a mensagem ‘Welcome Bill Gates. TBA’. No dia da visita, ordenei que ele sobrevoasse os céus de Brasília até a mensagem ser vista pelo fundador da Microsoft”, conta.

E foi assim que um assessor do próprio Gates entrou em contato com Cristina para agendar a reunião. Esta foi a primeira das quatro vezes com quem ela se reuniu para conversar com o homem mais rico do mundo.

Futuro e propósito


Para Cristina, o céu é o limite. A Globalweb Corp deve chegar a R$ 1,2 bilhão de faturamento nos próximos dois anos. Mas quem imagina que o dinheiro que é o guia da executiva se engana. “Se eu fosse homem, faturaria o dobro”, acredita. “Mas o importante para mim é quebrar paradigma”, esclarece.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Mulheres de Março.

magazine luiza
Ela ganhou notoriedade nos últimos tempos por conta da resposta que deu a Diogo Mainardi durante o programa Manhattan Connection. Mas ela merece destaque neste Mês da Mulher do NeoAdministração por muito mais do que isso.

Só pela introdução você já deve saber de quem estamos falando, não é? A resposta: Luiza Helena Trajano, responsável pela rede Magazine Luiza, um grupo com faturamento de quase R$ 10 bilhões ao ano e mais de 740 lojas espalhadas por todo o Brasil.

Desde pequena


Pensamos em seu nome para compor este especial por conta de sua trajetória. Assim como tantos outros empreendedores brasileiros, Luiza Helena trabalha desde criança. Aos 12 anos de idade, ela abriu mão das férias na escola para ajudar na Cristaleira, loja de presentes situada em Franca e que pertencia a seus tios. Com o passar dos anos e com o desenvolvimento dos próprios negócios, Luiza passou de balconista a gerente geral e a pequena loja de bairro tornou-se o que hoje é a rede Magazine Luiza.

Lição


Em entrevista à revista Exame, ela afirmou recentemente que a maior lição que sua mãe lhe ensinou foi a de não se acomodar, nem pensar pequeno e nunca dizer que algo é impossível. O ensinamento da mãe teve forte efeito em sua maneira de pensar: segundo a empresária, quem pensa pobre atrai pobreza. É preciso traçar metas ousadas, sempre, claro, com os pés no chão, sabendo que sim, você pode atingir aquele objetivo se trabalhar para tanto. “Medo todos nós temos. Eu também tenho medo. Mas o medo termina quando a gente tem coragem de assumir e dar o primeiro passo”, disse à revista Exame.

Foco nas pessoas


Ela assumiu o comando do grupo em 1991 e instituiu uma gestão extremamente voltada às pessoas. Entre os diferenciais de sua empresa está o Conselho de Colaboradores, “criado em 1994 como uma instância de gestão democrática e participativa”. É no conselho que, por exemplo, há deliberações sobre promoções, admissões e demissões.

Em reportagem publicada no IG, foi relatado um importante momento de humanização das atividades na rede de varejo comandada por Luiza. Durante o que é chamado de comunhão com a empresa, funcionários cantam o Hino do Magazine Luiza: “As coisas que a gente faz sob as ordens do coração / São páginas vivas, eternas, que não se apagam jamais (…) ML quer dizer ‘minha luta’ / e também ‘meu lar’”.

quarta-feira, 1 de março de 2017

5 Histórias inspiradoras sobre Empreendedorismo. 5/5

André Lessa/AE “Pense em uma pessoa que seja fácil passar a perna. Esse era eu quando vim morar em São Paulo, no começo de 1996”, relembra Ivo Machado. Hoje, aos 36 anos, esse mineiro de Cachoeira de Minas é proprietário da In2Sec, empresa especializada em inteligência aplicada à segurança da informação.

Fundada em 2006, a companhia registrou crescimento de 104% em 2011. Com sede em São José dos Campos e filial na capital, a In2Sec tem 30 funcionários. “Temos profissionais que entendem as motivações dos hackers e dominam as tecnologias usadas para invasão dos sistemas das corporações, o que é essencial para fazer a proteção.”

Com pouco mais de seis anos de fundação, a In2Sec atende empresas brasileiras de todos os portes e de diversas áreas, além de possuir dois clientes internacionais. “Conquistei um cliente americano durante uma viagem para os Estados Unidos, onde fui participar de feiras e eventos de novas tecnologias. Já o cliente inglês nos procurou por indicação da empresa americana.”

Para chegar até aqui, Machado percorreu um árduo caminho. “Primeiro ‘morei’ na rodoviária do Tietê assim que cheguei a São Paulo.”

Nos dez anos seguintes exerceu diversas atividades. “Eu comprava peças, montava computadores e levava para vender em Minas. Também fiz consórcio de computadores.”

Para obter certa estabilidade foi aconselhado por um tio a entrar para a Polícia Militar. “Fiquei na PM pouco mais de quatro anos, nesse período fiz a faculdade de análise de sistemas.” Depois, trabalhou em empresas como HP, Nextel e Comgás até criar a sua própria.

A In2Sec foi montada num canto do quarto de sua casa. “Nos seis primeiros meses meu orçamento era restrito. Eu comia um pingado no café da manhã, uma coxinha com suco no almoço e outro salgado e uma barra de chocolate no jantar.” Segundo ele, seu maior erro foi ter utilizado todo o limite do cheque especial e dos cartões de crédito nesse período. “Isso fez com que a operação da empresa fosse mais difícil do que deveria ter sido.”

Para quem aspira empreender, Machado alerta sobre a importância de ter apoio financeiro. “Isso pode ser obtido de várias formas, desde bancos a órgãos como o Sebrae, que oferecem ótimas condições para pequenas e médias empresas.” Ele ainda ressalta a necessidade ter profundo conhecimento sobre a área de atuação. “Isso é primordial e faz toda a diferença.”

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

5 Histórias inspiradoras sobre Empreendedorismo. 4/5

Paulo LIebert/EstadãoHá 17 anos, o engenheiro Marcelo Tessler criou sua empresa de gerenciamento de obras. Ele conta que não teve pressa para crescer e optou por uma trajetória mais consistente. Com este propósito, afirma que não recorre a empréstimos, usa apenas recursos próprios e não trabalha para o setor público.

“Ser os olhos do cliente.” Assim Marcelo Tessler resume o objetivo de seu negócio. Há 17 anos ele comanda a empresa de gerenciamento de obras que fundou, a Tessler Engenharia. Sua proposta de negócio é garantir que construções, reformas e ampliações sejam feitas com qualidade, baixo custo e sem atraso.

Em 2012, a companhia alcançou R$ 30 milhões de faturamento e cresceu 30% pelo quinto ano consecutivo. A receita para o bom resultado, segundo o empresário, foi ser conservador e crescer sem pressa.

Desde a fundação, o engenheiro não quis correr muitos riscos. A oportunidade de começar o negócio apareceu quando a empresa onde ele trabalhava decidiu parar de atender uma multinacional de cinemas que estava começando no Brasil, a Cinemark.

“Como eu havia gerenciado a primeira obra, ainda pela outra empresa, eles me convidaram para trabalhar direto para eles e acabei montando a empresa com mais um engenheiro”, conta.

Tropicalização. Ele foi para os Estados Unidos para aprender como as salas eram construídas lá e trouxe engenharia deles para o Brasil. Quando o primeiro complexo foi construído, ele diz que 60% dos materiais usados vieram do exterior.

“Depois, ‘tropicalizei’ todo o processo.” Agora, a maior parte da construção é feita com material nacional, só os equipamentos de projeção são de fora.

Nos primeiros anos, os dois engenheiros trabalharam dentro do escritório da Cinemark. Depois, eram quatro especialistas e chegou a hora de alugar o próprio escritório. “Fui vendendo o serviço, criando coragem, adquirindo experiência e fomos crescendo devagar.”

Shopping centers.A Tessler Engenharia tem hoje uma centena de engenheiros e arquitetos e alega ser a maior gerenciadora de obras em shoppings no Brasil, com clientes como Cyrella CCP, Grupo Iguatemi e BR Malls. Atualmente ainda mantém contratos com a Cinemark.

O fundador diz que construiu todas as salas de cinema da rede no Brasil, cerca de 500, em 60 complexos. Com o tempo, passou a atender outros tipos de cliente e gerenciou obras de shoppings centers, estádios de futebol, indústrias e hospitais.

O gerenciamento adequado, afirma Tessler, pode reduzir o custo total de uma obra em até 8%. E acrescenta que em grandes empreendimentos, de centenas de milhões de reais, a economia é significativa. “Escolhemos métodos construtivos, prazos, contratações. Temos experiência nisso.”

Se o cliente tenta construir sozinho, sem ter experiência naquele tipo obra, acrescenta o engenheiro, pode acabar perdendo muito dinheiro.

Tessler diz que pode ter demorado para crescer, mas não se arrepende de ter um estilo de gestão mais comedido. Ele afirma ser conservador no orçamento, na administração, não ter dívidas – utiliza apenas capital próprio – e não trabalhar para o setor público. Ele também conta que preza “ter tudo certinho” e que gosta de investir na qualificação dos seus funcionários .

“Veja, já estamos formando o terceiro office-boy em engenharia. Eles entram na empresa, gostam, e nós ajudamos a pagar o curso”, afirma.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

5 Histórias inspiradoras sobre Empreendedorismo. 3/5

DivulgaçãoO mercado de produtos orgânicos vem possibilitando a empreendedores idealistas, que desejam difundir a alimentação saudável e estão preocupados com questões socioambientais, um campo fértil de atuação. Os sócios Felipe Guerra e Alexandre Viola, por exemplo, desejavam criar um negócio ligado a sustentabilidade, com potencial pouco explorado, voltado à internet, e que proporcionasse ganhos sociais. “Conseguimos englobar tudo isso ao criar o e-commerce Vida Saudável Orgânicos”, diz Guerra.

Segundo ele, a certificação de produtos orgânicos não procura apenas evitar o uso de agrotóxicos. “Ela vai além, observando com rigor o lado social das relações trabalhistas.” O empresário conta que o Vida Saudável possui 450 produtos cadastrados, produzidos por sete fornecedores. “Como muitas culturas são sazonais, no momento estamos com 268 produtos ativos.”

Formado em tecnologia da informação, Guerra afirma que o investimento inicial foi de R$ 2,5 mil. “Optamos por um modelo de negócio com baixo investimento. O maior custo seria com a concepção do sistema de e-commerce, mas eu mesmo desenvolvi a ferramenta.”

Outra estratégia que barateou o custo de operação foi a opção de evitar manter produtos em estoque. “Segundo o conceito da agricultura biodinâmica, os alimentos devem ser consumidos logo após a colheita para preservar o valor nutricional, por isso trabalhamos com prazo de entrega de dois dias.” Depois de receber as encomendas, os pedidos são repassados aos fornecedores. Assim que os produtores fazem a entrega, a empresa encaminha os produtos fresquinhos para o cliente.

Outro ramo que está crescendo nesse mercado é o de padarias orgânicas. Entre elas está a Padaria Artesanal Orgânica Pão. Criada em 2007 pelo empresário Rafael Rosa, a marca conta hoje com cinco unidades. E a sexta será inaugurada em janeiro. “Eu me alimento dessa forma, portanto, seria muito contraditório vender produtos não orgânicos aos meus clientes.”

Rosa conta que o investimento para criar a primeira loja foi de R$ 160 mil. “O retorno veio em um ano. Comecei o negócio com três funcionários e hoje tenho 50.” Segundo ele, um dos grandes desafios no início do negócio foi encontrar fornecedores. “Hoje, melhorou muito. É impressionante como a oferta de produtos orgânicos aumentou nos últimos cinco anos aqui no Brasil.”

Movimento semelhante ocorreu no Rio de Janeiro, onde um grupo de amigos adeptos da alimentação a base de orgânicos decidiu criar um e-commerce para oferecer esses produtos.

“Antes de montar o Organomix, passamos cerca de oito meses fazendo pesquisa de mercado com produtores e consumidores”, diz Marcelo Schiaffino, um dos sócios.
O empresário conta que o resultado da pesquisa apontou o drama dos produtores para comercializar os alimentos de forma rentável. Já do lado do consumidor, as principais reclamações eram relacionadas ao custo do produto e à dificuldade de encontrá-los, porque a distribuição era muito pulverizada.

Schiaffino diz que o Organomix foi lançado em junho deste ano e que algumas premissas estão sendo comprovadas. “Uma delas é a de que havia grande demanda reprimida e que as pessoas queriam uma forma mais confortável para comprá-los.” O e-commerce trabalha com 50 marcas e mais de 1,2 mil itens. “Nossa loja tem, provavelmente, o maior portfólio do Brasil”.

União ideal. O empresário afirma que os produtores se encantam com o serviço. “Nós realmente resolvemos grande parte de seus problemas. Eles têm know-how no cultivo, mas grandes dificuldades para promover, comercializar e distribuir os alimentos.”

Segundo Schiaffino, o mercado de orgânicos movimenta R$ 500 milhões por ano e cresce entre 15% e 20% ao ano. “O Brasil tem 90 mil produtores que abastecem esse mercado, 85% formado por agricultores familiares.”

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

5 Histórias inspiradoras sobre Empreendedorismo. 2/5

Paulo Liebert/EstadãoEmpreender foi para a engenheira química Wang Shu Chen uma questão de saúde. Depois de trabalhar anos como pesquisadora de uma multinacional do setor químico, um exame apontou que ela estava com 30% menos glóbulos brancos no sangue, decorrente da exposição a solventes. “A solução foi deixar o emprego e buscar apoio para desenvolver uma cola sem solventes”, conta Wang.

Em 2001, seu projeto foi aprovado pelo Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec). “A partir daí, tive acesso aos laboratórios da Universidade de São Paulo, onde realizei pesquisas e testes que resultaram na produção de adesivos e selantes isentos de compostos nocivos à saúde e ao meio ambiente.” Ela diz que sem o apoio de órgãos púbicos, agências de fomento e de investidores, não teria conseguido criar o negócio.

Segundo Wang, atualmente a Adespec - Adesivos Especiais fatura R$ 12 milhões por ano, emprega 55 funcionários e mantém forte ritmo de crescimento. E Wang continua investindo em inovação. “Estamos desenvolvendo um produto a partir da nanotecnologia, que será usado para colar placas de blindagem.”

Com a saúde recuperada, a empresária diz orgulhosa que a Adespec foi a única empresa de selantes convidada a participar da Rio +20. “Foi um reconhecimento pelas soluções inovadoras e sustentáveis que criamos e que oferecem alto padrão de eficiência.”

O exemplo de Wang foi usado pelo diretor executivo do Cietec, Sergio Risola, para ilustrar sua resposta a pergunta “Vale a pena recorrer a uma incubadora?”. O questionamento é tema de um dos 24 capítulos que compõem o livro Empreendedorismo Inovador, organizado pelo consultor de negócios Nei Grando.

“No meu capitulo, tento passar para o leitor o quanto vale a pena para uma startup participar de uma incubadora.” Risola diz que também tenta derrubar o mito do capital de risco, porque essa realidade mudou. “Temos hoje, sete investidores do Vale do Silício atuando no Brasil. Tento acabar com a imagem do investidor que sufoca o empreendedor e mostrar que o capitalista está aí e é nosso amigo. Esse novo mundo é tudo o que sempre desejamos.”

Outro tema explorado pelo livro é a diferença entre criatividade e inovação. Apesar de a criatividade ser o motor da inovação, os dois termos tem definições distintas. “Para as empresas, inovação significa competitividade, é uma forma de se diferenciar e ganhar mercado. Enquanto a criatividade é uma associação de ideias que pode não se tornar real”, diz o gerente de desenvolvimento e inovação do Sebrae-SP, Renato Fonseca.

Na opinião de Nei Grando, o processo de geração de ideias com valor, que resulta em uma invenção, exige criatividade, observação, atenção e reflexão. “Inovação, por sua vez, é colocar as ideias na prática e está mais ligada aos negócios, focando a geração de novos produtos, melhoria de processos ou a criação de novos modelos de negócios. Só é inovação se tiver sucesso.”

Grando afirma que a criatividade pode ser individual ou de equipe. “Hoje, existem técnicas que utilizam empatia, colaboração e experimentação para gerar algo desejável pelo público. Essa técnica junta mais pessoas e acelera o processo de criação.”

Segundo Fonseca, as empresas brasileiras estão aprendendo a desenvolver processos de gestão da inovação. “A inovação pode ser induzida, daí a importância da criatividade e da observação do mercado e do mundo em busca de ideias que possam resolver os problemas das pessoas.”

Ao alcance. Inovação, diz ele, pode ser feita por empresas de todos os portes. “Um pequeno empresário pode colocar uma lousa em um ponto da empresa e escrever uma pergunta importante por semana. Assim, terá a chance de receber ideias de funcionários, fornecedores e clientes. Se fizer isso toda semana, em um ano terá pelo menos 50 ideias geniais. Esse processo pode ser sofisticado, conforme o porte da empresa.”

Para Grando, as empresas nacionais ainda têm grande resistência às coisas novas. “Ou elas mudam ou vão quebrar. Temos aspetos culturais que precisam ser superados. ” Com base em sua experiência como consultor, e com o objetivo de orientar jovens que desejam empreender e empresários que desejam inovar, Grando convidou 25 especialistas – consultores, professores, empreendedores e investidores –, para escrever sobre diversos temas relacionados ao empreendedorismo. Os textos deram origem ao livro Empreendedorismo Inovador, lançado no final de outubro.

“A obra apresenta a construção de um modelo brasileiro para atingir a inovação. Em meu capítulo, falo sobre o contexto do empreendedorismo no Brasil”, diz Fonseca. Já Grando afirma que o livro é diferente de tudo o que já foi produzido dentro e fora do País. “Conseguimos criar uma espécie de manual ao abordar a maioria dos assuntos que o empreendedor vai enfrentar no dia a dia.”

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

5 Histórias Inspiradoras sobre Empreendedorismo. 1/5


 “Aos 14 anos eu já trabalhava firme na roça, dando expediente cheio para ajudar minha família, que vivia da viticultura”, recorda Nelson Lisot, fundador da marca de eletroportáteis Cadence. Ao completar 18 anos, o gaúcho de Santa Lúcia do Piaí, deixou a roça e foi para Caxias do Sul estudar administração de empresas.


Na cidade, trabalhou numa loja de calçados e em seguida passou a vender produtos de cama e mesa de porta em porta. Nessa época, já namorava Cleusa, sua futura mulher. “Nós carregávamos malas com produtos de terceiros. Mas com o tempo, criamos uma linha batizada de Lisot Jour e chegamos a ter 200 bordadeiras e 40 vendedores.”

Tiago Queiroz/Estadão
Lisot diz que essa empresa ainda existe, mas foi transformada em loja de decoração. “Temos duas unidades em Caxias do Sul que são administradas por minha mulher. Hoje, ela trabalha principalmente com produtos da área têxtil.”


O perfil empreendedor da família foi estimulado novamente quando, no final dos anos 1990, visitaram os Estados Unidos. “Nós trouxemos uma panificadora doméstica e a instalamos na loja. Os pães fresquinhos eram oferecidos a arquitetos, decoradores e clientes em geral. A iniciativa foi um sucesso e todos queriam ter um produto semelhante.” Foram tantas encomendas que Lisot importou um container com 370 unidades.

Como as encomendas continuaram, em 1999 os Lisot resolveram comprar diretamente da China. Assim, puderam inserir a marca Cadence nos produtos. “Desde o início, as negociações de importação foram feitas por meu filho Cristiano, que é cofundador da empresa. Ele estudou administração de empresas nos Estados Unidos e tem bastante bagagem para trabalhar com importações.”

Lisot afirma que a Cadence continuou trazendo produtos inéditos no Brasil e nos anos seguintes trouxeram cafeteira, panela elétrica para arroz, lareira elétrica, entre outros artigos que hoje compõem o mix da empresa, que faturou R$ 215 milhões em 2012.

“Em 2005, já tínhamos um número razoável de itens, o que nos forçou a mudar de Caxias do Sul, no interior do Rio Grande do Sul, para Itajaí, em Santa Catarina, para ficar perto do porto e reduzir os custos.”

O empresário conta que além de importar a Cadence produz cerca de 120 produtos de 38 categorias entre aquecedores, torradeiras, sanduicheiras, grills e secadoras. “Atualmente, 80% de nossos produtos vêm da China, mas são feitos sob medida para o mercado nacional”

Aos 65 anos, Lisot considera que um empreendedor precisa ter várias características para ser bem sucedido, mas destaca algumas. “Acho que ter seriedade naquilo que faz, tanto com os seus fornecedores como com os clientes e colaboradores é fundamental. O empresário deve ter seriedade para cumprir aquilo a que se propõe.” Acredita, ainda, que é preciso ter muita persistência, porque as dificuldades são grandes, assim como as adversidades do mercado e até do clima. Tudo isso, diz ele, pode influenciar no desempenho do negócio.

“São riscos que existem e precisam ser calculados. O último inverno, por exemplo, foi fraco e 40% dos aquecedores continuam no estoque. Isso demanda custo. Por isso, digo que para empreender é preciso ter uma dose de audácia, mas ela precisa ser controlada com prudência para não ultrapassar os limites que a empresa possa aguentar.”